A culpa é dessa demora angustiante que deixa espaço para que minha mente trabalhe em ritmo tão acelerado. Ela está prestes a explodir com tantos palpites sobre o que realmente eu devo achar. E você ainda assim, continua nessa, de falar sem falar e me obrigar a entender.
Tente entender, que hoje, eu só queria falar com você. Não importam as palavras.
domingo, 29 de maio de 2011
Sei lá. Só acho que as pessoas deveriam interagir mais. Deixar de achar que tudo é culpa da ”sociedade”. Chega uma hora que eu começo a ficar com pena dela, com pena de quem a trata desse jeito. A sociedade pode não ser algo perfeito, mas eu tenho certeza de que o homem é. Perfeito no sentido de ser um animal racional, claro. Porém falam, falam e falam. Mas duvido alguém mexer um dedo para tentar ajudar. Ou quem sabe mudar. Então da próxima vez que for julgar a sociedade, pense duas vezes antes, e julgue a si mesmo. É só a minha opinião.
Eu sempre esperei mais de você, não como se fosse algo forçado, mas como qualquer sentimento, eu apenas quis esperar por algo mais. E parece que vou continuar esperando. Quem sabe um dia você acorda e percebe que ficar ai apenas me venerando, não vai fazer esse sentimento andar para frente. Não estou te dando conselhos para melhorar e nem nada, eu só queria que você prestasse mais atenção nessas suas atitudes que parecem sumir a cada passo que você dá.
Não permita que eu me apegue e faça planos, não me deixe crer no que não há verdade. Vá antes de borrar minha maquiagem, ferir minha coragem, antes que eu jogue meus instintos de sobrevivência definitivamente pela janela do prédio como se não me importassem mais sentimentos próprios. Não provoque meus medos, não confunda meu discernimento e não destrua meu equilíbrio. Apenas vá.
sábado, 28 de maio de 2011
Ainda que com muito esforço, eu não consigo encontrar as palavras corretas. Vou tentar hoje com o máximo que eu posso, está ficando insuportável guardar tudo dentro de mim. Pareço uma idiota às vezes, de tanto que eu me importo, de tanto que eu amo, e de tanto que eu choro. Vivo preocupada, estressada, arrependida, sobrecarregada. Sou tão insegura, que quando me elogiam, eu fico na duvida quanto a veracidade de tais palavras, e no fim acabo não acreditando. Me desespero com o sofrimento das pessoas que eu amo. Às vezes até demais. Tento esconder esse desespero o máximo que posso, mas quando não aguento, fico parecendo uma idiota, de novo. Sou pessimista, chata, crítica demais. E, claro, extremamente medrosa. Tudo o que você disser vai me deixar completamente abalada, ou alegre. Me sinto sozinha 80% do tempo. Duvido de tudo, até mesmo na possibilidade de alguém se importar em ler isso até aqui. A minha vontade de abraçar, cuidar e ajudar quem eu amo é enorme, e quando eu não consigo isso, me desespero novamente. Cometo erros a cada segundo, sou grossa algumas vezes, orgulhosa, teimosa. Sou tão incomum, incorreta, bagunçada, contraditória. Com o tempo acabei perdendo a confiança nas pessoas, em todas. Mas quem sabe um dia, alguém me faça acreditar nas pessoas novamente.
Levava a vida de uma forma diferente, que era ao mesmo tempo igual. Em seu coração haviam todos os tipos de ferimentos, em diversos estágios de cicatrização. Mas era possível entender em apenas um olhar, que estava disposta à expor, machucar-se e se doer, apenas para manter vívida na lembrança meia dúzia de memórias doces. A mente estava em constante guerra com o corpo e o coração. Esses três - aqueles que jamais se entendem - a razão, o desejo e o amor. Em todas as pessoas encontra-se esse complexo triângulo amoroso que, ao mesmo tempo em que confunde, consegue definir vidas. E apesar de ser igual à todos, era diferente. No fundo de seus olhos era possível enxergar luz e esperança. Tudo o que pedia era uma promessa. Tudo o que ansiava era um momento. Não pensava sobre o amanhã, apenas espremia o hoje - pegando cada gota de vida que encontrava. Esquecia propositalmente de sofrer, para finalmente conseguir viver.
Chorei por mim. Por você. Por nós. Por todos esses sentimentos ilusórios que nascem prometendo sorrisos, mas que cumprem apenas corações partidos. Chorei pela impossibilidade, tornando tudo vasto como o nada que preenche meus dias. Chorei por não passar de uma página amarela com escrita apagada, no passado. Agarrada aos lençóis da minha cama, tive o choro mais triste e vazio do mundo: o choro sem consolo.
Vezenquando a vida aparece para lembrar que não nascem flores no inverno. Tudo se torna seco, oco e sem vida. Os dias se arrastam como se fossem semanas. A planta sem graça, sem vida e quase morta, não vê nada mudar. Ela perde completamente as esperanças, se entregando à comodidade do término. Mas aí a primavera chega. Salva. Revigora. E a planta se lembra que até o inverno tem fim.
sábado, 14 de maio de 2011
Dia desses, acordei decidida à ser leve. No café da manhã, tomei apenas um suco de laranja e comi uma barra de cereais - quis começar a ser leve pra valer. Distribuí sorrisos para todos, até mesmo para aquela loira que sempre me olha de cara feia, e consegui um sorriso de volta. A vida se tornou melhor. Até consegui mais alguns amigos devido à essa minha crise de simpatia.
Um dia nublado, tudo mudou. Levantei com o pé esquerdo e uma tremenda dor de cabeça. Tive vontade de me esconder em meio às cobertas e ficar assistindo filmes - tristes para chorar, e felizes para desacreditar em cada palavra bela que os personagens dizem. Havia finalmente retornado ao estado normal. Perdi todos os amigos que conquistei em tão pouco tempo, voltei a ter o sorriso carregado de sarcasmo, e senti um alívio enorme. No fim, não importa o quanto a vida pode ser bela quando somos doces, mas sim o quanto é bom ser feliz sendo quem somos, sem brilhos falsos.
Um dia nublado, tudo mudou. Levantei com o pé esquerdo e uma tremenda dor de cabeça. Tive vontade de me esconder em meio às cobertas e ficar assistindo filmes - tristes para chorar, e felizes para desacreditar em cada palavra bela que os personagens dizem. Havia finalmente retornado ao estado normal. Perdi todos os amigos que conquistei em tão pouco tempo, voltei a ter o sorriso carregado de sarcasmo, e senti um alívio enorme. No fim, não importa o quanto a vida pode ser bela quando somos doces, mas sim o quanto é bom ser feliz sendo quem somos, sem brilhos falsos.
Me peguei sem sentir nada. Não havia mais euforia, risadas ou desespero. Sofrer agora é apenas uma lembrança meio apagada que existe no passado. Sorrir se tornou banal. Se importar, quase uma aula de atuação. Já não me importo com nada. Não vejo sentido em nada. Cheguei a pensar que era apenas aquela morfina de sempre que a dor causa para nos trazer segundos de sossego, mas não. Pela primeira vez em toda minha vida, vejo tudo em minhas mãos. Começar tudo de novo - como se o coração, assim, de repente, jamais tivesse sofrido. Lembranças ruins tiradas da memória, trocadas por um gosto ansioso de criar novas histórias. A vida entregou novas páginas para refazer a história, e eu - mais uma vez - não sei o que fazer com elas.
Amar sozinho dói. Gasta. Corrói. Transforma até a sensação mais bela em monstro de sete cabeças. Então você percebe que aquilo não era amor, porque amor de verdade é coisa de numeração dois. Dois corações em um sentimento. Duas cabeças nas mesmas lembranças. Não é solitário. Sentimento de um só é tudo, menos amor. Então você percebe que passou por uma coisa feia, triste e inexistente. E sente dor de novo. Porque, mesmo se doendo tanto, ainda não descobriu o que é amar.
desde então;
A verdade é que não estou pronta para recomeçar. Voltar à linha de partida exige preparação para suportar novas cicatrizes, e minhas pernas perderam o que restava de força, na última queda.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Me perdoe? eu estou tentando encontrar minha vocação, estou me chamando através da noite. Eu não pretendo ser um incômodo, mas você tem visto este garoto? ele tem corrido pelos meus sonhos e está me deixando louca!Toda vez que vou falar com ele parece que eu vou pedir para ele se casar comigo (mesmo que ele não acredite no amor) de tão nervosa que fico e as famosas borboletas no estômago aparecem ... eu tenho que encontrar uma maneira de preencher esse vazio até que ele seja meu.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
De repente, tudo estava bem - de uma forma assustadora e bizarra. Os gritos dos vizinhos já não me irritavam, meu problema com a sociedade deixou de existir, até meu cabelo parou de me enlouquecer. Deixei de sentir raiva das pessoas, deixei perder a paciência com coisas tão banais, e também já não me irritava com o riso histérico daquela perua que sempre encontro por acaso na padaria quase todos os dias. Passei a levantar todos os dias com aquele sorriso monótono no rosto, que contrastava com meus olhos chorões que imploravam por novidade. Dias atrás, até consegui escutar o cara que tenta se fazer de engraçado do jornal, dizendo “Mais um dia sem nada que pode ser riscado do calendário”. Pensei em começar a fazer boxe, pintura, yoga… Qualquer coisa que torne meu dia menos chato. E foi então que entendi, tudo isso aconteceu porque você estava longe. Cheguei a discar seu número várias vezes, apenas para te lembrar de voltar, mas desistia antes da chamada terminar. Porque sem você, meus dias são incompletos, não tem emoção. Os dias ficam tão vazios, que preciso me equilibrar para não cair de cara no chão, porque você não estará lá para me segurar. Preciso que retorne, para ser preenchida por tudo que é você, e conseguir me ser de novo. Saber disso me aliviou, mostrou que não estava doente, no meio de uma crise de identidade ou entrando em uma fase completamente estranha. Era só saudade, e ela iria acabar. Com um sorriso, pensei que você é tão eu, que em sua ausência não consigo ser ninguém. E tudo voltou a fazer sentido.
Tinha momentos mórbidos, de completa tristeza. Pensava em ligações desesperadas, semanas solitárias e abandonos carregados de culpa. Ela não se importava mais, haviam roubado toda sua razão - qualquer vestígio de felicidade que poderia aparecer na íngreme estrada com destino ao futuro. Sem nada mais à perder, tomava doses extravagantes de tristeza, vindas de qualquer lugar. Doses que poderiam ser fatais.
ele e ela (ou eu e ele )
Ele jamais tirou os pés do chão. Ela vivia de sonhos. Ele apenas pensava nos problemas. Ela os causava. Ele não via graça na vida. Ela procurava um pontinho de esperança em cada situação. Ele não sabia sorrir. Ela distribuía sorrisos para todos que atravessassem seu caminho. Eles são completamente incompatíveis, por isso jamais daria errado. Ela sabe que não existe proteção maior do que os braços dele, e ele esquece de qualquer problema quando mergulha nos olhos dela. Ela o admira da cabeça aos pés, e ele se surpreende com seu jeito alegre de levar a vida. Ela o ensinou a voar. Ele tornou seus sonhos realidade. Pode ter fim hoje, amanhã ou nunca. Para os dois, não importa. Eles sabem que tudo o que fizeram desde o princípio, os preparou para quando se encontrassem. Eles são tudo o que querem hoje, e isso basta. Porque, apesar de serem completamente diferentes, nasceram para o mesmo amor.
De que mundo você veio? o que faz seu mundo?
- Às vezes tenho a impressão de que você vive em outro mundo. De que você veio de outro tempo e apareceu aqui por acaso. - ele se espreguiçou como se tivesse todo tempo do mundo, e fitava o céu como se buscasse algum sentido nessa conversa.
Peguei um punhado de grama nas mãos e passei a observá-las: - Bem, eu sou. Respondi simplesmente.
Ele já não fitava o céu, apesar de estar com o olhar fixo na grama em minhas mãos, senti a intensidade de seu olhar, e resolvi prosseguir. - Eu vim de um mundo onde amar não era pecado, sorrir não era sarcasmo e abraços não eram seguidos de punhaladas pelas costas. O lugar de onde venho sempre me deu motivos para seguir e nunca me espremeu até que todas as gotas de lágrimas que tinha em meus olhos caíssem. - respirei fundo e, como ele não dizia nada, resolvi continuar - Esse mundo foi criado apenas na minha cabeça, admito. Pode parecer insanidade, infantilidade, ou insignificante, mas esse mundo é melhor do que o que está aqui fora. Aqui, tudo o que tenho é isso - sacudi a mão com o punhado de grama - minha única certeza agora é o que está em minhas mãos. O resto pode ir embora a qualquer momento.
Ele encaixou a cabeça na curva do meu pescoço e envolveu um dos braços em minha cintura. Com a outra mão, tirou o punhado de grama da minha mão e a colocou em seu rosto, e sussurrou: Agora, eu sou sua certeza.
Peguei um punhado de grama nas mãos e passei a observá-las: - Bem, eu sou. Respondi simplesmente.
Ele já não fitava o céu, apesar de estar com o olhar fixo na grama em minhas mãos, senti a intensidade de seu olhar, e resolvi prosseguir. - Eu vim de um mundo onde amar não era pecado, sorrir não era sarcasmo e abraços não eram seguidos de punhaladas pelas costas. O lugar de onde venho sempre me deu motivos para seguir e nunca me espremeu até que todas as gotas de lágrimas que tinha em meus olhos caíssem. - respirei fundo e, como ele não dizia nada, resolvi continuar - Esse mundo foi criado apenas na minha cabeça, admito. Pode parecer insanidade, infantilidade, ou insignificante, mas esse mundo é melhor do que o que está aqui fora. Aqui, tudo o que tenho é isso - sacudi a mão com o punhado de grama - minha única certeza agora é o que está em minhas mãos. O resto pode ir embora a qualquer momento.
Ele encaixou a cabeça na curva do meu pescoço e envolveu um dos braços em minha cintura. Com a outra mão, tirou o punhado de grama da minha mão e a colocou em seu rosto, e sussurrou: Agora, eu sou sua certeza.
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